segunda, 21 de abril de 2014
OSTEOARTROSE - Cuidados para sua saúde
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OSTEOARTROSE
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A visão do especialista

DEFINIÇÃO

A artrose, modernamente chamada de osteoartrite é enfermidade inflamatória essencialmente articular que não poupa uma só articulação do sistema músculoesquelético; instala-se a partir da quinta e sexta décadas da vida e atinge a ambos os sexos. Esta definição não contempla a osteoartrite secundária resultante de outras enfermidades reumáticas e um número infinitamente grande de outras enfermidades não reumáticas, visto ser ela uma via final comum, por assim dizer, de qualquer processo de natureza articular se denominando então osteoartrite secundária.

CLASSIFICAÇÃO

A primária caracterizada por uma erosão da cartilagem articular se distribui quanto ao sexo preferencialmente no segmento cervical (segmento da coluna sediado na nuca) mãos e joelhos na mulher; e no segmento lombar, coxofemorais e tornozelos no homem. É óbvio que a sintomatologia será pertinente a cada uma destas articulações ou quase todas, ou todas conjuntamente caracterizando a osteoartrite primária generalizada.


ART. TEMPOROMANDIBULAR

A osteoartrite da articulação temporomandibular (da mastigação) resulta quase sempre de uma disartria no ato de mastigar, seja lá de que natureza for. Esse problema reumático conhecido como Síndrome de Costen, é freqüentemente de solução protética, (correção de mal oclusão dentária) entre outros. Como resultado da erosão da cavidade que aloja o côndilo e compressão do nervo auriculotemporal, faringoglosso e meninge não raro estes doentes se queixam de secura somente de um lado da boca (hemianopsia), dor de cabeça que se irradia do ouvido até o parietal, e finalmente ruídos adventíciais como, zumbido no ouvido, zoada na cabeça, etc.


SEG. CERVICAL/COLUNA

No segmento cervical, a sintomatologia esta relacionada como o nível de comprometimento, se alto, médio ou baixo. O alto e por vezes o médio estão intimamente relacionados com sinais audiovisuais e encefálicos. Os do ouvido são aqueles ruídos que mencionei anteriormente, os visuais são por abalos sísmicos dos olhos conhecidos como nistágmos, e finalmente os encefálicos como a enxaqueca. O segmento cervical médio esta relacionado à dor referida dos ombros e por vezes uma dor precordial que não raro se assemelha àquela observada na insuficiência coronariana aguda, e de diagnóstico diferencial, por vezes difícil. Finalmente o sofrimento do segmento cervical inferior, de todos o mais freqüente, caracterizado por uma dor na nuca irradiando-se até as mãos em forma decrescente podendo nelas e nos antebraços estar ausente. Contudo, os doentes invariavelmente se queixam de formigamento, adormecimento, queimação, etc.


SEGMENTO LOMBAR/COLUNA

O segmento dorsal por ser imobilizado pelas costelas praticamente está ausente de queixas, já o lombar, muito pelo contrário, é dentre todos o mais vulnerável com queixas apenas locais ou então irradiadas às extremidades inferiores conhecidas como ciática.

OUTRAS ARTICULAÇÕES

Nas mãos são caroços que envolvem primeiramente as articulações distais (nódulos de Heberden) e finalmente as proximais (nódulos e Bouchard). São doloridas extremamente incapacitantes e surgem, como que, inesperadamente.

A coxofemoral quando atingida é de todas as articulações a mais incapacitante, seguida de perto pelo joelho.


A VISÃO DO ESPECIALISTA

Em todas elas a dor varia desde um grau suportável sem prejuízo das atividades habituais até a incapacitação física, extremamente debilitante, com qualidade de vida bastante limitada.

Os sinais inflamatórios estão freqüentemente ausentes, salvo em algumas circunstâncias onde pode se perceber um calor discreto quando se palpa as articulações periféricas, principalmente os joelhos.

SINAIS E SINTOMAS

A dor é multifatorial e esta intimamente relacionada com alterações da cartilagem articular, tumefação do osso subcondral imediatamente abaixo da cartilagem, tendões, ligamentos, cápsula articular, músculos, etc. Sais de cálcio (cristais) citocinas pro-inflamatórias também participam do complexo fisiopatológico da dor.

Por sorte todos estes elementos têm um denominador comum à inflamação. A erosão da cartilagem articular, de certa forma também, contudo, de conduta terapêutica um tanto diferente.

A sintomatologia prevê além da dor alguns outros sinais nem sempre presentes, porem algo pertinentes. Por exemplo, crepitação audível e palpável, sobretudo nas articulações periféricas, nesta ordem joelhos, ombros, cotovelos, e tornozelos. As outras dificilmente são palpáveis. Sobre ela, os doentes às vezes se referem ao rangido, que não guarda estreita relação com a dor, ou seja, range sem dor e vice-versa. Outras vezes se referem a estalido, quase sempre não patológico e resultante da separação brusca entre as cartilagens justapostas, ou até mesmo quando se excede na amplitude máxima permitida pela articulação. É importante assinalar o calor local, nas articulações periféricas, e muito excepcionalmente o rubor. Quando estes sinais ocorrem juntamente com a crepitação é prudente pensar também em outras enfermidades, às dominantemente inflamatórias e dentre elas, a artrite reumatóide.

TRATAMENTO

A doença tem tratamento, com um prognóstico extremamente favorável, incluindo-se nisto a melhor qualidade de vida experimentada por estes enfermos.

É oportuno dizer que o maior inimigo desta e de outras enfermidades reumáticas são médicos mal informados, que diagnosticam mal, e se apressam em dizer que reumatismo não tem cura. Por não entenderem bem sua hoje conhecida patogenia, não sabem exatamente que conduta aplicar em cada caso em particular. Sob este aspecto é pertinente lembrar que a hipertensão, o diabete, a insuficiência cardíaca congestiva, e uma infinidade de outras doenças crônicas também não tem cura, e nem por isto, estes enfermos são como que abandonados a sua própria sorte.

O tratamento é medicamentoso e quando necessário é fisioterápico. Um terceiro procedimento de terapêutica local deve ser cogitado nos casos em que for necessário. Pode dividir-se em drogas sintomáticas de efeito fugaz, e mais modernamente drogas sintomáticas de efeito duradouro, possivelmente condromodificadoras ou reparadoras da cartilagem articular. As drogas sintomáticas são os antiinflamatórios não hormonais e os corticoesteróides.

É importante assinalar a inestimável ajuda da fisioterapia como que, arrematando todo este arsenal terapêutico. Ela deve ser evitada no início ou fases agudas da enfermidade. Calor sob diversas formas, irradiação (luz ultravioleta ou infravermelho), condução (fomentos quentes) e conversão (diatermia etc) também devem ser proscritos em articulações quentes, e pelo contrário nas articulações frias. Ela é extremamente útil como medida pré manipulatória porque ajuda a relaxar a musculatura alcançando-se melhores resultados. Duas palavras sobre manipulação vertebral, que deve ser usada por mãos habilitadas e habilidosas sob pena de complicações extremamente graves. Mãos inábeis, na manipulação vertebral do segmento cervical tem provocado casos de tetraplegia como resultado de gestos bruscos e intempestivos.

Pergunte ao seu médico qual a maneira ideal que ele recomenda no seu caso. Procure sempre um especialista.

Adil Samara (Reumatologista)
Chefe da Disciplina de Reumatologia da UNICAMP
Worldwide Arthritis Advisory Board (WAAB)


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