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Terapias alternativas e complementares em doenças Reumáticas

O que já se falava em 2002

Conferência realizada em NY (14-17/03/2002) no seminário de avanços em reumatologia

Resumo : Abordado como tema, o fato de pacientes de doenças Reumáticas complementarem as terapias destas doenças com um número crescente de produtos e condutas alternativas. Muitas dessas terapias têm uma história longa e segura sendo que, em muitos casos, a eficácia não foi devidamente estudada e comprovada. Existem estudos controlados para algumas substâncias sendo que outras continuam a ser estudas. Muitos médicos se utilizam de guideline com a inclusão destes produtos.

Ervas e produtos naturais : por milhares de anos estas substâncias foram utilizadas em tratamentos de doenças reumáticas. Algumas das ainda utilizadas têm origem histórica e outras, são fruto de descobertas mais recentes. Terapias consideradas alternativas eram excluídas do arsenal e do procedimento corriqueiro do médico americano; porém, possuíam disponibilidade em alguns hospitais e clínicas, ainda que não fizessem parte do ensino médico regular.

Prevalência e perfil dos usuários : de 1530 adultos estudados, cerca de 1/3 fizeram uso concomitante ao tratamento médico prescrito de terapias alternativas, sendo que, esta tendência foi crescente no período de 1990 a 1997 (34% para 42%). Dos pacientes pesquisados, predominavam os indivíduos brancos, com bom nível de educação, renda mínima alta e faixa etária entre 25 a 49 anos, tendo apresentado, como justificativa para a utilização concomitante das substâncias alternativas, o alívio da dor.

Escolha da terapia : foi variável, sem critério científico, e variando desde aplicações locais até produtos derivados de alimentos ou vitaminas, chás, o uso de metais como adornos de Cobre etc.

ANÁLISE DE ALGUMAS SUBSTÂNCIAS

Glucosamina e Condroitin - São duas substâncias presentes nos blocos de tecido cartilaginoso, sendo utilizadas por décadas, tanto nos EUA quanto na Europa, no alívio da dor. Nos EUA são comercializadas atualmente, como componentes nutricionais, sendo cada vez mais utilizadas. Vários trabalhos evidenciam a redução sintomatológica com a utilização deste composto, possuindo baixo índice de efeito colateral quando comparado aos antiinflamatórios. Publicação recente de trabalho, com três anos de duração, demonstrou achados radiográficos que sugerem um retardamento na evolução da doença.

Dieta - No passado, os relatos médicos davam importância à dieta; porém, trabalhos mais recentes, demonstram que os resultados, infelizmente, não são bons, sendo que os efeitos sobre os sintomas raramente se sustentam.

Vitaminas - O uso suplementar destes compostos parece ser o foco do grupo dedicado a este estudo. Melhora sintomatológica e da saúde de uma forma geral são os destaques preconizados pelos adeptos desta terapia. Até recentemente dispúnhamos de poucas pesquisas sobre o assunto. Estudo de Framinghan trouxe nova luz nos benefícios da Vit D, em pacientes com AR. O mesmo estudo parece ter evidenciado que a Vit. C também possue efeitos benéficos na OA . Também favorável, mas menos evidente, foi uso de Beta caroteno, sendo que nenhuma associação válida foi encontrada para as vitaminas E, B1 e B6 e Niacina.

Preparações Herbáreas - Um grande número de preparações herbáreas foram relatadas no tratamento de artrites. Em modelos animais foi demonstrada alguma eficácia para algumas substâncias. Seu principal papel seria no efeito antiinflamatório.


  1. Chá de Salgueiro - usado desde a antiguidade para dor, febre e gota. Com alto teor de salicilatos, é uma fonte natural de ácido salicilico; trabalhos comparativos dão conta de sua eficácia. A falta de produtos bem elaborados torna difícil seu uso e sua comprovação.
  2. Garra do diabo - Um punhado de pequenos e bem planejados trabalhos dão conta de sua eficácia no alívio da dor em OA .
  3. Feverfew - (redutor de febre) é outro tradicional remédio usado em OA. Estudo com 41 mulheres não demonstrou a sua eficácia.
  4. Vinha de Deus ou Trovão Chinês - dos produtos desta categoria este é o mais promissor. Muito difundido na China, passou a ser mais bem estudado depois da revolução comunista, com a presença de médicos da cidade no campo. Teve seu uso interrompido no passado pela toxicidade, porém, mais refinado, parece conter vários componentes ativos com efeitos antiinflamatórios evidentes. Tem sido usado em anciões para o tratamento da AR, Lupus eritematoso, púrpura Henoch-Schölein etc.

Estudos farmacológicos parecem evidenciar que seu mecanismo de ação envolve a produção de citocinas (IL 2 e gama-interferon) e também outros mediadores (PG-E2 e óxido nítrico). Os efeitos colaterais mais comuns são os Gastro intestinais e amenorréia em mulheres.

Acupuntura - muito comum na China e de longa data ( mais de 2000 anos) sua pratica é descrita em vários manuais e compêndios médicos. Nos EUA, esta terapia vem ganhando adeptos, sendo que os pacientes que utilizam esta modalidade buscam principalmente, o alívio da dor. Os esforços de pesquisa clínica esbarravam nos critérios de avaliação. Trabalhos recentes dão conta no alívio da dor, tanto em modelo humano como animal.

Desde 1998 o NIH (Instituto Nacional de Saúde dos EUA) vem dando destaque ao uso da acupuntura no alívio da dor e na ajuda a náuseas e vômitos pós-terapias agressivas.

Autor(s) : Sharon L KOLASINSKI (University of Pennsylvania)
Assistant Professor of Medicine
Chef of Clinical Service of Division of Rheumatology
Director of the Rheumatology.

Palavras chaves : OA (osteoartrose), ervas , terapia , vitaminas , herbáreas, guideline.

Trabalho original clique aqui.